Experiência do usuário e educação – o que tem a ver?

Se você perguntar a seus avós como era a sala de aula quando eles frequentaram a escola, perceberá que muitos elementos são os mesmos que você e seus pais conheceram. Mas quando falamos da sociedade, no comportamento e nos valores das comunidades nas últimas décadas, percebemos que muito se transformou. Por que, então, a sala de aula foi, por tanto tempo, a mesma?

Em nosso passado, construímos a ideia de que a aprendizagem precisa ser unilateral. O professor fornece o conteúdo e os alunos absorvem – na maioria das vezes, em silêncio. Nos sentimos como se a troca não fosse permitida naquele espaço. Foi assim que a maior parte dos adultos, de hoje em dia, se formaram.  Gerações Baby Boommer, X, Y e Z, somam mais 50 anos de trava contra a sala de aula. Num ambiente onde aprender era chato e a parte mais importante daquele processo, a mais interessada, que era o aluno, não tinha voz.

Quando trazemos essa bagagem para o cenário corporativo e convidamos essas pessoas a participarem de treinamentos, cursos e experiências de desenvolvimento e aprendizagem, temos, ainda que discreta, uma resistência. E a forma de furar essa bolha da resistência e trazer o participante de corpo e alma para essa experiência é única. É importante pensar na jornada a partir do olhar do outro, criando conexões e transpondo barreiras. Precisamos, cada vez mais, pensar em experiência do usuário dentro da sala de aula corporativa.

A experiência é única

Quando pensamos na experiência e na eficiência de aprendizagem, não podemos pensar em formatos fechados, roteiros prontos. Cada vivência é singular, assim como cada jornada será individual e intransferível. Pensar na experiência do usuário é colocá-lo como protagonista daquele processo é a grande chave.

Para um treinamento ou curso corporativo ser eficiente, precisamos pensar no retorno que aquela abordagem terá. Não falamos apenas de KPIs ou de métricas de retorno como ROI, mas sim no impacto de mudança e transformação que aquele desenvolvimento é capaz de gerar nas pessoas ali presentes. E para que haja retorno, é preciso que haja engajamento. E só temos engajamento com conexão.

Conectando jornadas

Imagine no formato de um treinamento corporativo de liderança para uma instituição financeira com décadas de mercado. Esses líderes têm gerações a frente desse mesmo desafio, que trazem inspirações, aprendizados e experiência a ser compartilhada. Agora, imagine o mesmo treinamento corporativo de liderança para uma equipe de gestores de uma startup que acaba de virar unicórnio no mercado. Não há precedentes, apenas expectativas. O mesmo conteúdo pode ser ofertado para esses dois grupos. O que vai mudar completamente é a experiência, o formato, pois devemos adaptá-lo ao usuário, ao contexto das formas de acesso e conexões, que são completamente novas.

Pensar no público que está em sala de aula é pensar na própria performance de abordagem, na curva de aprendizagem, que é individual. Quando temos, antes de tudo, a conexão com a empatia e com o olhar sobre o outro, conseguimos criar trilhas maduras de conexão, principalmente, levando em conta a diversidade do público em questão. E aí, portanto, temos jornadas conectadas.

A experiência do usuário é apenas dele!

Mas, é preciso deixar claro. Os condutores e facilitadores realizam o convite para a experiência, mas a entrega precisa ocorrer também do outro lado. É preciso, por mais que seja difícil, deixar para trás a ideia de que aprender é chato e cansativo. Quando nos colocamos em cena, no jogo, temos também o controle da nossa jornada. E, a partir disso, podemos nos aprofundar e levar daquela experiência uma bagagem  forte, inesquecível. Temos que trabalhar a nossa ansiedade, que busca resultados imediatos e que todos estejam juntos no processo de aprendizagem. Temos que abrir possibilidades para a curiosidade que, por sua vez, é a precursora do aprendizado autônomo.

Podemos aprender muito com o olhar do outro

Nos colocar no lugar do outro não apenas potencializa o conteúdo, mas também nos ajuda a entender melhor o nosso público. É dessa forma empática, que os conteúdos da Leader são desenvolvidos. Sempre com foco na ação, mas com uma metodologia que perpassa pelo respeito e afeto, transformando encontros em experiências de troca e muita construção mútua. Nós, da Leader, saímos transformados dessa experiência. E, esperamos, que quem participa conosco, também.

Comentários
  • Sergio Scorbaioli
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    Flavia, muito legal estas colocações. Gera valor ao treinando, bem como ao Facilitador. Conexão é tudo, a jornada é de cada um.. Bjs

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