ARTIGO

Será que é mesmo possível ter controle emocional?
Leader Educa

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Tentar controlar as emoções é uma das atitudes mais desejadas e ao mesmo tempo complexas que podemos ver nos dias atuais, sendo objeto de estudos muito interessantes, que valem a pena ser compartilhados. Neste artigo, você vai descobrir que está no entorno deste desejo de ter controle emocional. 

Um artigo publicado na Harvard Business Review em 2013, tratou sobre a forma como líderes eficazes lidam com pensamentos e sentimentos negativos. O artigo menciona um experimento realizado por um professor de Harvard, em que indivíduos são convidados a evitar pensar em um urso branco.A conclusão foi de que tentativas de minimizar ou ignorar pensamentos ou sentimentos tendem apenas a amplificá-los. 

Em 1917, Sigmund Freud, através da psicanálise, declarou: “O EU não é o senhor de sua própria casa”. 

Tente não pensar em um urso branco por cinco minutos.

Não precisa nem começar.

Somos dotados de um algoritmo linguístico incapaz de se autoprogramar de modo infalível: este simples experimento revela em nós um ponto fora de controle (ainda que gozemos da sensação de ocupar nosso centro de comando).

Não nos comportamos de modo estritamente lógico e deliberado. Nossa cadeia de pensamento se move atrelada à fluidez de impulsos e sentimentos, capazes também de nos comandar.

E no ambiente de trabalho? Podemos ter controle?

Quem sabe, escolher uma profissão com base apenas em argumentos racionais? Isso equivalerá a se casar por conveniência, um caminho para a infelicidade.

Freud apresentou uma nova proposta: Os médicos de sua época deveriam escutar o que há de infelicidade no surgimento de certas doenças. Para ele não bastava estabilizar a biologia do paciente – ele retornará daqui a algum tempo, com sua mesma infelicidade.

Um século depois e temos várias conquistas a comemorar na área da medicina, porém, quando falamos sobre emoções, o atalho ainda é uma saída tentadora: temos medicamentos para insônia, cirurgias para obesidade… mas a infelicidade que está por trás dessas coisas é ludibriada, esquecida.

O que a experiência clínica nos mostra é que, em geral, essa tentativa de ludibrio faz com que o ignorado retorne e assombre, feito um urso branco. É justamente a observação desse “efeito de retorno” uma das maiores contribuições de Freud.

O tema central que está em jogo é que sentimentos, por mais ruins que sejam, não podem ser ignorados ou repelidos – uma distorção comum quanto à expectativa de “controle” sobre as emoções.

Sentimentos estão aí para serem admitidos e atravessados.

Não significa que você deva ceder a eles.

Admitir para si o ódio por alguém, não implica partir para cima desse alguém; a pressão interna para calar esse ódio é que pode, porventura, gerar uma explosão violenta para cima desse alguém.

O fato é que os profissionais atuais se vêem rodeados por inúmeras exigências: do domínio de idiomas a diversas soft skills, como capacidade de trabalho em equipe e tato nas relações.

A velocidade-ansiedade atual e o clima de incertezas e inovações nos desafiam a todo momento a não nos afogar nesse fluxo ininterrupto de estímulos.

Isso faz do controle emocional um objeto de desejo para muitos.

Lacan falava em “saber lidar ali” (savoir-y-fai-re).

Podemos analisar uma metáfora para que seja mais fácil distinguir “controle” de “saber lidar ali”.

Vejamos, o surfista não controla as ondas (suas emoções), seu saber lidar com elas apenas lhe permite, com humildade, atravessá-las e até tirar proveito delas, nunca livre de eventualmente ser arrastado pela intensidade de algumas. Do contrário, se acredita que está tudo sob seu controle, fica mais vulnerável a tomar “caixotes” ou ser arrastado por ondas violentas, passando a se sentir dividido.

Dessa maneira, uma vez que não nos será possível controlar diretamente as emoções, cabe, pela via psicanalítica, atentar para nossas condutas a fim de que possamos nos responsabilizar pela repetição de episódios que, em grande medida, tem a ver com nossa teimosia resiliente.

Esse ponto crucial, pouco explorado pelos estudos da Inteligência Emocional, desloca a questão do domínio das emoções para o exame e aprimoramento de nossa visão de mundo (mindset), ou seja, nosso repertório de crenças e valores, esses mesmos que nos levam a agir da maneira como agimos, com nós mesmos, e no convívio diário com nossos semelhantes.

Para concluir, quando usamos a nossa energia tentando controlar uma emoção que toma conta do nosso ser, deixamos de lado a chance de entender o sentimento e fazer um breve exame para compreender de onde ele surgiu.

Entendendo a sua raiz, podemos cuidar para que ela seja mais maleável e positiva para nós e todos que nos cercam.

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