ARTIGO

Compartilhar saberes, valor possível e inestimável.
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Hoje, pensava sobre o papel do professor na nossa sociedade e resolvi escrever este texto. Não quero ficar no senso comum e lembrar que o professor é alguém que tem muito mérito na construção de vidas e nenhum reconhecimento financeiro. Isso é um fato. Quero escrever sobre o ato.

Dia desses vivi uma situação com a minha cunhada que tem 42 anos e dá aula para o ensino fundamental há 22. Estavam todos da família alinhados para o café no final de uma tarde melancólica de domingo; ela se aproxima, algo tímida, algo orgulhosa e aponta na tela do seu celular a foto de um rapaz que fora seu aluno e que hoje está na Califórnia, trabalhando em uma empresa extratora de silício. Formado pela USP em Geologia, o rapaz fez uma colagem de fotos tal qual uma linha do tempo para homenagear o passado e lá estava a pro-Gra, como a Graciana é conhecida na cidade.

Até aí tudo bem, pois você pode estar pensando que já ouviu este tipo de relato um milhão de vezes. Professor/professora que ensinou alguém que tem êxito. Nada demais.

Mas o que me chamou a atenção foi o que veio a seguir. Perguntei qual a sua sensação ao ver aquelas imagens e o que representavam, simbolicamente, as conquistas dele para ela. Rapidamente e sem titubear ela cravou a resposta.

– Eu poderia me sentir soberana e afirmar que sem a minha iluminação ele nunca teria enxergado o mundo de verdade e continuaria um ignorante. Eu poderia sentir orgulho e afirmar que sem mim ele nunca haveria vencido a barreira do analfabetismo. Eu poderia dizer, até de forma prepotente, que ali estava uma conquista minha. Afinal, depois de tanto trabalho, estava ali o resultado final. Mas não me agrada pensar assim.

E serena ela continuou.

– E não me agrada ser assim. Eu seria desonesta.

Curioso e querendo saber mais do raciocínio, pedi que continuasse. E ela o fez.

– Sim desonesta e desalinhada dos meus valores, já que, como alguém que ensina algo para o outro, me ponho a pensar todos os dias que eu NÃO sou o caminho, a verdade e a luz. Eu sou SIM, parte do caminho, parte da verdade e parte da luz.

E concluiu feliz.

– Sei que na trajetória das pessoas, eu ajudei a construir muitos caminhos, encontrei atalhos, cai em desvios, cometi enganos e comemorei acertos. Ajudei na descoberta de algumas verdades e na revelação de novos olhares e levei um pouco da minha luz para que no fim, eles brilhassem.

E assim seguimos a saborear o café da tarde com novos saberes.

E para você, o que é compartilhar saberes?

 

Alexandre Toledo,
Consultor Leader.

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