ARTIGO

Carl Rogers: A abordagem centrada na pessoa e suas relações com a educação
Leader Educa

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O psicólogo americano Dr. Carl Rogers trabalhou, ao longo de sua carreira, em pesquisas e teorias que suscitaram muitas transformações no campo da psicoterapia. Em seus estudos propôs uma série de rupturas, ao desenvolver um método psicoterapêutico que privilegiava o paciente como agente transformador de seu tratamento: não apenas a metodologia desenvolvida por Rogers era centrada na figura do paciente, como o desenvolvimento das sessões de psicoterapia buscava fazer com que ele encontrasse, sozinho, sua própria cura. Foi deste trabalho que nasceu a abordagem centrada na pessoa, também conhecida como Psicoterapia Não-Diretiva.

Mas e qual o impacto e aplicabilidade deste conceito na educação? Embora estas questões inicialmente tenham sido desenvolvidas como uma abordagem à psicoterapia, Rogers identificou que suas ideias poderiam ser transferidas para outras áreas, tais como gestão, resolução de conflitos e educação, por exemplo.

Suas teorias foram consideradas extremamente revolucionárias na época, pois transformavam pacientes até então vistos de forma passiva em agentes atuantes de mudança. Parte importante de seu trabalho foi propor que um ambiente livre de ameaças físicas e psicológicas é fundamental para incentivar o desejo inato de realização pessoal que os indivíduos possuem: todos buscam constantemente aprimorar suas experiências de bem estar, suas competências e conhecimentos, o que inclui estar aberto a experiências, ser confiante e confiável, curioso, criativo e compassivo.

Com base nestas ideias o Dr. Rogers delineou três atitudes principais que representam a inclusão de sentimentos e emoções no processo de análise, também encontrando ressonância no ambiente educacional, pois são facilitadoras do aprendizado:

  • Congruência/Realidade: tanto o aluno quanto o professor precisam vivenciar suas atividades e interações de forma real e genuína. O professor não pode se apresentar como uma “fachada” do saber e o aluno precisa transitar por um ambiente livre para que o fomento à troca de conhecimento e ideias flua nos dois sentidos. Significa dizer que as pessoas envolvidas no processo estão experimentando a realidade, os sentimentos e aprendizados que realmente estão disponíveis. É garantir espaço para a pessoa ser ela mesma ao invés de se negar;

 

  • Confiança/Reconhecimento: é necessário estabelecer uma relação de consideração positiva, aceitando de braços abertos cada aspecto da experiência/existência desta pessoa, não colocando condições para aceitação do outro. É uma confiança básica, a crença de que a outra pessoa é de alguma forma essencialmente confiável e merecedora, mesmo que seja, assim como todos nós, um ser imperfeito com diversos conflitos e sentimentos, mas também com muitas potencialidades.

 

  • Compreensão empática: os professores devem compreender quais são as motivações interiores dos alunos que guiam suas reações. Ao desenvolver esta habilidade se tornam capazes de enxergar com os olhos dos alunos todo o desenrolar do processo de aprendizagem e aprendem a exercitar mais e mais a empatia, fundamental para que os alunos se sintam apreciados e acolhidos, ao invés de julgados ou avaliados. Para ampliar a probabilidade de uma aprendizagem significativa os alunos precisam perceber que seu ponto de vista é compreendido e respeitado.

 

Rogers acreditava que a educação e a psicoterapia compartilhavam objetivos semelhantes de transformação pessoal e autoconhecimento, bem como são capazes de transformar atitudes, comportamentos e personalidades ao trabalhar os níveis afetivos e cognitivos de seus pacientes/alunos. Suas pesquisas e teorias continuam estimulando nos educadores diversas questões importantes no que diz respeito às formas de relacionamento e processos que guiam o processo educacional.

 

battah

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